Terça-feira, 30 de Setembro de 2008

Ética: nanoprodutos e investigação sobre o cérebro são desafios do futuro

O vencedor do prémio Bioética ETHOS 2008 defende que os nanoprodutos e a investigação sobre o cérebro são os desafios com que a sociedade se confrontará no futuro próximo.

Henk ten Have, médico e filósofo holandês de 57 anos, recebeu ontem o prémio do Instituto de Bioética da Universidade Católica Portuguesa na Fundação Calouste Gulbenkian. O especialista é docente da cadeira Bioética Internacional no Centro Médico Nijmegen da Universidade de Radboud, na Holanda.

"Há todo o género de nano materiais que são tão pequenos que não sabemos que riscos representam se forem introduzidos no corpo humano", afirmou. "Nem sequer podemos medi-los, já que são feitos numa escala totalmente diferente, e apesar de sabermos que podem ser perigosos em animais, não temos ideia do seu impacto nos seres humanos".

"Os nanomateriais podem ser usados para tudo. Novas substâncias estão a ser usados por exemplo em cosmética, já que podem ser introduzidos muito facilmente na pele, como também em pneus, por exemplo, para os tornar mais resistentes".

Aludindo à investigação sobre o cérebro, onde se estudam maneiras de influenciar e manipular o comportamento humano, Henk ten Have, alertou para a existência de nanomateriais que podem ser introduzidos no cérebro, sem que a população tenha noção do seu impacto.

A UNESCO criou dois comités sobre as questões da ética na nanotecnologia e na ética na investigação sobre o cérebro. O holandês dirige a divisão de Ética, Ciência e Tecnologia. “Para a maioria dos países, numa escala global, há questões bem mais básicas por resolver, porque muitas populações carecem de meios para aceder aos próprios cuidados de saúde", alertou. "Têm doenças como a malária e a tuberculose que nem sequer podem ser tratadas por falta de dinheiro e recursos", explicou.

Na sua perspectiva, "a um certo nível há um grande fosso entre a discussão nos países desenvolvidos sobre o impacto dos avanços científicos e o que se passa no resto do mundo onde faltam os recursos básicos".

É por isso que a grande esperança de Henk ten Have é "uma maior aproximação entre esses dois mundos, tornando as novas tecnologias mais úteis para os habitantes dos países em desenvolvimento e não apenas para os dos países ricos".

"A questão que se coloca é como podemos distribuir os avanços científicos e tecnológicos para que a maioria da população possa beneficiar deles, cabendo aos políticos agir para que assim aconteça", concluiu.

O tema escolhido para esta primeira edição do ETHOS foi a Declaração Universal de Bioética e Direitos Humanos aprovada em 2005 pela UNESCO, a agência das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, principal organização internacional que trata as questões relacionadas com a bioética.

Para o investigador o prémio representa "o reconhecimento da importância da bioética e do trabalho da UNESCO".

Fonte / Escrito por: Publico; Lusa 


publicado por neuropsicologiaonline às 10:57
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