Quinta-feira, 23 de Outubro de 2008

O Modelo de Pribram

O fisiologista Karl Lashley, realizou experimentos por mais de 30 anos na tentativas de localizar o engrama (local e estrutura responsavel pela memoria), treinava ratos de laboratorio para posterior mutilação seletiva do cérebro a fim de isolar o engrama.

Em todas as experiencias, a mutilação cerebral prejudicou um pouco o desempenho do animal mas em momento nenhum apareceram indicios de que o traço de memoria relacionada ao treino ter desaparecido por completo.Os experimentos de Lashley mostraram que era impossível isolar o engrama no cérebro de um rato. Ele concluiu que a memoria deveria se encontrar distribuida e repetida pela extensão cerebral. Os experimentos de Lashey são um tanto simplistas para serem aplicados em cérebros mais complexos como os dos mamiferos superiores mas suas conclusões parecem se estender a todos os animais.

Um fisiologista chamado E. Roy John e seus colaboradores desenvolveram ummetodo que detecta sinais de memoria ativa em cérebros vivos de ratos e gatos. O mesmo sinal aparece em vastas regiões do cérebro,confirmando as previsões de Lashley.

O neurocientista Karl Pribram trabalhou por algum tempo sob orientação de Lashley, conhecendo detalhadamente o experimento e os resultados obtidos na busca do engrama. No inicio da decada de 60 foi construido o primeiro holograma e, lendo artigos a respeito do funcionamento da fotografia holografica Pribram imaginou que o cérebro poderia funcionar de maneira similar e em 1966 escreveu o primeiro artigo associando o armazenagem de dados pelo cérebro à armazenagem de informações por um holograma dando inicio a teoria da mente holografica.

Um holograma é uma fotografia tridimensional feita com a ajuda de um laser.Para fazer um holograma, o objeto a ser fotografado é primeiro banhado com a luz de um raio laser. Então um segundo raio laser é colocado fora da luz refletida do primeiro e o padrão resultante de interferência (a área aonde se combinam estes dois raios laser) é capturada no filme. Quando o filme é revelado, parece um rodamoinho de luzes e linhas escuras. Mas logo que este filme é iluminado por um terceiro raio laser, aparece a imagem tridimensional do objeto original.

A tridimensionalidade destas imagens não é a única característica importante dos hologramas. Se o holograma de uma rosa é cortado na metade e então iluminado por um laser, em cada metade ainda será encontrada uma imagem da rosa inteira. E mesmo que seja novamente dividida cada parte do filme sempre apresentará uma menor. Diferente das fotografias normais, cada parte de um holograma contém toda a informação possuída pelo todo.

É, no entanto errôneo afirmar que a informação contida em cada metade do holograma ficou inalterada, na verdade, devemos comparar a divisão de um holograma com a divisão de uma janela. Ao dividirmos uma janela em duas partes não estaremos observando metades de paisagem em cada janela, mas deixaremos de poder observar a paisagem pela janela em determinados ângulos.

Ou seja, ao cortarmos o holograma, não estamos perdendo informações sobre determinada região da imagem mas sim de determinados ANGULOS em que a imagem pode ser observada. Paralelamente ocorre perda de nitidez no holograma. Caso não houvesse nenhum tipo de perda ao dividirmos o holograma, o holograma seria uma media para armazenamento de dados com capacidade infinita.

O conceito holográfico não deve, no entanto se limitar a diferentes ângulos de uma mesma imagem, qualquer tipo de informação, visual ou não pode ser armazenada em mídia holográfica, deste modo, não faz sentido relacionarmos exclusivamente ângulos ao nível de detalhamento da informação. O importante é o modo como a informação é armazenada e seus detalhes correlacionados.

Um dos criticos ao trabalho de Pribram, o professor Paul Pietsch, julgava absurda a teoria da mente holografica já que esta tinha implicações totalmente contrarias ao conhecimento e ao senso comum da época. Revoltado com o aparente absurdo da teoria, Pietsch resolveu se dedicar a derrubar-la e relegar-la ao esquecimento.

Pietsch idealizou uma serie de experimentos onde com uma serie de cirurgias e transplantes embaralharia o cérebro de uma salamandra na esperança de afetar o processamento da memoria e das demais funções cerebrais. Pietsch falhou e se viu obrigado a examinar e testar cuidadosamente as predições da teoria holografica.

Tais experimentos resultaram no livro : "SHUFFLEBRAIN -The Quest of Hologramic Mind" que já está em sua segunda edição e encontra-se , gratuitamente disponível online em : http://www.indiana.edu/~pietsch/shufflebrain-book00.htmle se tornou uma ótima referência sobre o assunto.

O livro ressalta que não podemos comparar adequadamente o holograma neural com um holograma optico. Para definir o estado de uma onda é necessário conhecermos sua amplitude e sua fase. Todas estas informações são aproveitadas por um holograma optico mas como as freqüências e energias encontradas nos neuronios não são comparaveis às da luz, Pietsch afirma que um holograma neural não teria condições de retirar codificar/decodificar informações aproveitando a amplitude dos sinais neurais. O holograma neural seria similar a um holograma acustico que é sensivel apenas as variações de fase de uma onda. O holograma acustico será discutido detalhadamente em momento posterior deste trabalho.

O modelo de Pribram propõe que a memoria não é armazenada de modo sequencial como num computador ou qualquer outro tipo de registro a que estamos acostumados mas sim em camadas de modo que cada unidade de memoria aumentará o nivel de detalhamento das informações ao invés de adicionar novas informações.

 

"A teoria diz que o cérebro, num dos estágios de processamento, executa suas análises no domínio das freqüências. Isto é realizado nas junções entre neurônios e não dentro deles. Desse modo, aumentos e diminuições locais, graduados de potenciais nervosos (ondas), de preferência a impulsos nervosos, são os responsáveis por isto. Os impulsos nervosos são gerados dentro dos neurônios e são usados na propagação dos sinais que constituem as informações ao longo de grandes distancias, através de extensas fibras nervosas. As variações de potencial, locais e graduadas, isto é, as ondas, ocorrem nas extremidades destas fibras nervosas, onde elas se ligam a ramos mais curtos que formam uma rede de interconexões entre neurônios. Alguns deles, agora chamados neurônios de circuito local, não possuem fibras longas e não apresentam impulsos nervosos. Funcionam basicamente, no modo de onda graduada, e são especialmente responsáveis pelas conexidades horizontais em lâminas de tecido nervoso, conexidades nas quais podem vir a ser construidos padroes de interferência semelhante aos holográficos.

 

Ao lado dessas especificações anatômicas e fisiológicas, acumulou-se um sólido corpo de evidencias, indicando que os sistemas auditivo, somático-sensorial, motor e visual do cérebro realmente processam, em um ou varios estágios, a entrada, vida dos sentidos, no domínio das frequências. Essa entrada distribuida deve então, de algum modo, talvwz por meio de mudanças na estrutura de proteinas nas superficies da membrana, ficar codificada sob a forma de traços de memoria distribuidos. As moleculas de proteina desempenhariam um papel auxiliar no holograma fotográfico neural."3.1

O funcionamento da mente como um grande processador de frequencias reforça o questionamento de Kant a respeito de nosso orgãos sensoriais e o modo como enxergamos o mundo que cerca nossa consciencia. É explorando estas caracteristicas que David Bohm consegue extrapolar o modelo holografico para a o mundo da Física reforçando sua busca por uma Física Quantica determinista e racional.

Antes de analizarmos as ideias de Bohm propriamente ditas, é preciso conhecer as discordancias existentes entre Bohm e a Fisica Quantica e estes são evidenciados no célebre "paradoxo EPR" e a questão da localidade x não-localidade.


 

Notas de Rodapé

...3.1
Wilber, Ken (2001) "O Paradigma Holográfico e outros paradoxos" 3a Edição - Editora Cultix.

Karl Pribram


publicado por neuropsicologiaonline às 06:18
link do post | comentar | favorito

.posts recentes

. NEUROEDUCAÇÃO:)

. Discalculia

. O Modelo de Pribram

. REDES

. A EQUAÇÃO DO AMOR

. Como funcionam os trilhos...

. Ética: nanoprodutos e inv...

. WAKE UP CALL... YES LOVE ...

. I M THE MOUTAIN I M THE S...

. NEUROPSICOLOGIA ONLINE

.arquivos

. Dezembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

hits
online